Esta problemática tem sido muito debatida entre os criadores e não há consenso acerca desta matéria. Obviamente, quantos mais casais criarmos de uma raça mais possibilidades teremos de obter melhores exemplares. Contudo, esta temática não pode ser abordada sem antes atendermos a dois pontos, primeiro qual a raça em concreto e segundo quantas exposições e em que moldes queremos nelas participar.
No primeiro ponto temos de partir de vários pressupostos genéricos como de umas raças criarem melhor que outras e, em abstracto tirarmos mais exemplares, existirem raças que são trabalhadas com recurso a portadores (sendo estes parte da prol e não utilizáveis em exposições) e, por fim, existirem raças que são trabalhadas em linha macho ou fêmea, ou seja, em que somente um dos géneros serve para expôr.
Relativamente ao segundo ponto, se um criador pretender participar em várias exposições deve possuir um número de aves elevado, porque uma ave, em principio, apenas estará apta a participar numa exposição ou, no máximo, em duas. Além deste factor, convém ainda identificar se o criador pretende participar apenas na categoria individual ou por equipas, sendo que neste último caso ter quatro aves de fenotipo semelhante implica, desde logo, um número considerável de opções no plantel.
Acho que esta temática é interessante e, voltando ao inicio, reitero aquilo que escrevi, quantos mais casais tivermos da mesma raça melhor. Também parece não haver dúvidas que a qualidade dos reprodutores marca pontos, porque é sempre preferivel ter menos casais de reprodutores de qualidade do que muitos casais de reprodutores de qualidade inferior. Quando visitamos os criadores mais galardoados de uma determinada raça, verificamos que estes desenvolvem a mesma com muitos casais, não raras vezes com quinze, vinte, trinta casais. Para os pequenos criadores, como eu, esse número significa, muitas vezes, o total dos seus casais divididos pelas diversas raças que criam. É óbvio, que a capacidade nunca poderá ser a mesma, porque dispõem de um leque de escolha mais abrangente e conseguem explorar uma maior diversidade de vectores de acasalamentos.
Claro que o referido é também uma auto-critica, porque queremos sempre ter uma variedade de raças sem pensar que dificilmente evoluimos com dois ou três casais. Muitas vezes acontece que simplesmente não temos uma ave para expor de uma raça que criamos, o que não deixa de se desolador. Deixo também aqui um alerta aos clubes, associações, federações, para de uma vez por todas colocarmos de lado as classificações gerais nas exposições e premiar-se apenas as aves mais pontuadas, porque muitos ainda têm o objectivo de ganhar vários prémios em várias linhas para ter uma boa classificação geral!
Além destes factos, um plantel extenso implica uma menor necessidade de adquirir aves a outros criadores, porque há possibilidades maiores de ter no plantel aquilo que se pretende, se bem que adquirir aves para o plantel tenha muitas vezes a ver com questões de consanguinidade no mesmo, para obter outras vertentes genéticas ou, simplesmente, porque a sua qualidade irá introduzir uma melhoria relativamente ao que já se possui.
Posso falar por mim, dando mais um exemplo na raça mais antiga no meu canaril, que são os lizards. Tenho trabalhado o plantel com as minhas aves desde 2008 (em 2007 adquiri os últimos exemplares) e é aqui que tenho obtido os melhores resultados, porque tenho aprendido mais sobre a raça (e isso é fundamental) e porque os cruzamentos não são tiros no escuro, pois conheço bem o genotipo dos exemplares. Evidentemente, de vez em quando pisco o olho a alguns exemplares de outros criadores, mas estes ou não vendem as aves que me interessam ou pedem quantias que entendo não ser razoável dispender e, para adquirir aves de categoria inferior às minhas ou que não tenham aquilo que pretendo, prefiro poupar uns trocos (salvo seja!).